Dicas para pôr a Educação Ambiental em movimento. Fazes alguma?

Dicas para pôr a Educação Ambiental em movimento. Fazes alguma?

Houve um tempo em que a educação ambiental cabia numa cartolina. Escrevia-se “reduzir, reutilizar e reciclar” com marcadores coloridos e colava-se uma garrafa de plástico cortada na esperança que a mensagem passasse para as gerações mais novas.  Era importante e continua a ser, mas o mundo mudou.  

Educar para o ambiente, atualmente, já não passa apenas por separar o lixo ou apagar a luz. Temos de nos questionar recorrentemente dos nossos próprios hábitos que se tornaram automáticos, repensar a forma como consumimos, produzimos e até mesmo como usamos a tecnologia. As dicas continuam a ser simples, mas são outras. Vamos olhar para algumas delas neste artigo!

 

Usar tecnologia com intenção e não por reflexo 

Durante anos, o progresso pautou-se por usar mais e ter mais: mais aplicações, mais respostas imediatas, mais automatização. A expansão das ferramentas de Inteligência Artificial (IA), como conhecemos atualmente, meteu-nos as respostas nas pontas dos dedos, mas a que custo? A dependência constante e o uso excessivo de inteligência artificial para toda e qualquer questão desfalca-nos de sentido crítico, de momentos de pausa e resolução de problemas. 

A IA não é neutra: por trás de cada resposta, existem servidores ligados ininterruptamente, com um consumo elevado de energia, uso intensivo de água para arrefecimento e extração de recursos naturais para produzir tecnologia. O impacto positivo também existe, depende sempre da forma como a tecnologia é usada.  

No fim, podemos sempre perguntar aos melhores motores de pesquisa do mundo: os nossos pais, os nossos avós ou aquele amigo conhecido por ser especialista em variedades. Educação ambiental é aprender a perguntar: preciso mesmo de pesquisar desta forma?  

Consumir menos e comprar mais perto de casa 

Reduzir o consumo no geral continua a ser uma das ações mais impactantes que podemos tomar no nosso dia-a-dia! Comprar menos, mas melhor, produtos duradouros e realmente necessários. Consumir na mercearia local, consertar o calçado no sapateiro do bairro, estimular a economia da tua zona de residência é mais impactante do que possas imaginar. O comércio local reduz emissões associadas a transporte e embalagens e cria relações humanas que nenhuma entrega online substitui. Entrar numa loja, fazer perguntas, ver, tocar e escolher conscientemente é um gesto simples que aproxima consumo e responsabilidade! 

A natureza abranda, mas não pára 

Mesmo nos meses mais frios, a natureza não pára por completo. Muitos polinizadores continuam ativos, embora de forma mais discreta, e dependem de fontes de alimento que se tornam escassas nos meses mais frios. Ter e plantar espécies amigas dos polinizadores é uma ação que abraça a fauna e a flora da tua zona. Plantar espécies como Jasmim, Urze, Skimmia, Sarcococca ou Viburnum Tinus apoia a biodiversidade nos meses mais frios: são plantas resistentes, adaptadas ao nosso clima e essenciais para manter os ecossistemas ativos quando tudo parece parado! 

 

Cozinhar em casa evita desperdício 

Preparar refeições em casa raramente aparece nas listas de ações ecológicas, mas devia. Cozinhar as tuas próprias refeições reduz o número de embalagens utilizadas, permite usar produtos da época e diminui a dependência de entrega de comida (que nem sempre é a mais saudável). Por isso, recupera as receitas de família, tira os livros da gaveta e constrói uma relação mais consciente com os alimentos que cozinhas! 

Reparar em vez de substituir 

Antes ensinava-se a reciclar, hoje talvez seja mais urgente reaprender a reparar. Vivemos rodeados de objetos feitos para durar pouco, mas não significa que tenham de ser substituídos ao primeiro problema. Arranjar um eletrodoméstico, coser uma roupa, trocar de roupa com amigos em vez de comprar tudo novo reduz lixo, poupa recursos e quebra o hábito do descartável. Reparar e reutilizar são gestos educativos!

Limpar a casa sem poluir fora dela 

Muitos produtos de limpeza convencionais contêm químicos agressivos que acabam nos solos e na água do nosso planeta, afetando ecossistemas inteiros e a própria saúde humana. Optar por produtos de base natural, ou até preparar soluções simples com vinagre, bicarbonato de sódio e sabão natura, é uma escolha mais segura e sustentável. Funcionam, são acessíveis e reduzem a libertação de substâncias tóxicas no ambiente e no ar que respiras! Além disso, podes sempre acrescentar à tua decoração plantas purificadoras do ar, que melhoram a qualidade do ar no interior da tua casa.

 

As cartolinas tiveram o seu papel, mas já não chegam. A educação ambiental é feita de escolhas quotidianas, muitas vezes discretas, que exigem mais consciência. Reduzir, reutilizar e reciclar continuam a ser importantes, mas agora vêm acompanhados de outras palavras como abrandar, reparar, escolher, cuidar. 

Atualiza a mensagem e não percas o essencial!